Segundo o FORDU, mais de 30 pessoas de uma localidade no Kwanza Sul estão desaparecidas depois de confrontos com a polícia.
Fonte: Rede Angola

O Fórum Regional para o Desenvolvimento Universitário (FORDU) denunciou que fiéis da seita A Luz do Mundo estão a ser perseguidos por efectivos militares, tendo ocorrido dois ataques nos dias 9 e 13 de Agosto, que terão levado ao desaparecimento de mais de 30 pessoas da localidade onde residem, no Kwanza Sul.
Segundo a organização, no local, onde viviam cerca de 40 pessoas, até ao momento “não há rasto de sobreviventes, com excepção de seis senhoras que estavam detidas”.
A rádio RFI contactou o integrante da organização Mãos Livres, Salvador Freire, para verificar a veracidade dos ataques. O advogado disse que “não confirma nem desmente [esta informação] mas pretende investigar, contactar pessoas e a FORDU, para verificar a sua veracidade ou não [e considera que] a ser verdade os responsáveis devem ser julgados”.
No dia 15 de Agosto, o Rede Angola noticiou que confrontos entre polícias e alegados membros da seita A Luz do Mundo havia provocado, na província do Kwanza Sul, pelo menos cinco mortos, entre agentes da autoridade e fiéis.
Esta seita foi liderada até 2015 por Julino Kalupeteka, condenado entretanto a 28 anos de prisão por confrontos que terminaram na morte de mais de 20 pessoas no Huambo (há fontes que falam em centenas), enquanto estes novos incidentes terão começado no dia 9, quando dois agentes foram mortos por alegados fiéis na comuna do Dumbi, município de Cassongue.
Segundo um comunicado do governo provincial, os membros desta seita são acusados de terem provocado “actos de violência sobre as autoridades policiais que se deslocaram àquela localidade na intenção de repor a ordem pública”.
Outros sete seguidores de Kalupeteka foram condenados em cúmulo jurídico a penas de 27 anos de cadeia, enquanto autores materiais de nove crimes de homicídio qualificado consumado, além de crimes de homicídio qualificado frustrados e de resistência à autoridade.
Mais dois elementos desta seita, que advogava que o fim do mundo aconteceria em 2015, foram condenados a 16 anos de cadeia.
O caso marcou a actualidade internacional em 2015, com as denúncias da oposição e de algumas organizações – sempre negadas pelo governo – apontando a morte de centenas de seguidores daquela seita nos confrontos com a polícia no monte Sume, Huambo.




