As empresas madereiras no Huambo ameaçam extinguir os polígonos florestais da Caala, Ukuma e Katchiungo

por cada 5 mil hectares de florestas destruídas, apenas menos de 50 hectares é repovoado o que representa séria ameaça a existência dos polígonos florestais no Huambo

O Huambo era uma das províncias com maiores polígonos florestais de Angola povoadas de eucaliptos, cedros e pinheiros com destaque para o Município da Cahala na comuna sede e na comuna do Cuima. O Municipio do Ukuma na comuna do Mundundu e o Municipio do Katchiungo, Chicala-Cholohanga e Bailundo na aldeia de Sanguengue e Alto-Chiumbo.

Devido as queimadas e os abates descontroladas essas florestas estão a desaparecer e não existe acão significativo de reposição ou replantação.

No município do Ukuma, na província do Huambo está a floresta do Mundundu na comuna com o mesmo nome, essa floresta ocupa uma área de mais de 11 mil hectares de cedro, pinheiro e eucaliptos, mas está a sofrer uma destruição sem reposição. As empresas chinesas madeireiras são as responsáveis pelo abate de árvores sem algum procedimento de reposição, o que a médio prazo será eliminada a floresta.

O Municipio da Caala tem a floresta de Mwangunja na comuna sede da Caala, no bairro com o mesmo nome. Essa floresta constituída pelo eucalipto consociado com o cedro era pertença da empresa celulose. Todas essas florestas foram criadas na era colonial, entre 1960/70 do século passado. Mas no município da Caala, a floresta mais importante era da Comuna do Cuima.

A floresta do Cuima é uma área florestal de 18 mil hectares localizada na comuna do Cuima, no município da Caála, na província do Huambo, em Angola. A floresta foi criada na era colonial.

A floresta do Cuima tem sido afetada por queimadas e exploração de madeira, o que tem levado à perda de área florestal. Em três anos, a comuna do Cuima perdeu 45% da sua área florestal. Projeções para o período de 2020 a 2030 indicam que a área florestal da comuna do Cuima diminuirá de 84.693,4 há para 69.392,8 há, o que representa uma redução de 47,8% para 39,2%.  A devastação do perímetro florestal do Cuima, criado na era colonial, com 18 mil hectares, foi desproporcional aos programas de reposição das árvores de cedro, eucalipto e pinheiro.

Para o efeito, foram licenciadas pelas autoridades governamentais as empresas “Estrelas da Floresta” e “Mbundi Limitada”, na perspetiva de poderem repovoar o perímetro e, com isso, garantir a preservação da biodiversidade.
Disse que a empresa Estrela da Floresta conseguiu repovoar 530 hectares com espécies de cedro, eucalipto e pinheiro, enquanto a “Mbundi Limitada” atingiu 50 hectares de área, com a plantação de eucalipto.

O FORDU tem ao longo desses anos monitorado as queimadas descontroladas, o desmatamento devido a lenha e produção de carvão vegetal bem como a monitoria das empresas chinesas e angolanas que com as guias de abates passadas pelo IDF-Instituto de Desenvolvimento Florestal têm efetuado o abate das árvores na dimensão desproporcional em que existem mais abates e pouca ou nenhuma reposição. Embora os números da extinta empresa Estrela da Floresta ter iniciado os processos de repovoamento floresta nessas localidades, mas o avanço é insignificante se tivermos em conta o que se destruiu comparando com o ínfimo espaço repovoado.

O município da Caála, um dos 11 que compõem a província do Huambo, tem uma zona florestal estimada em 25 mil hectares, nomeadamente dos perímetros da Calenga, Cuima e Tchandenda. Todas essas florestas praticamente já não existem no quadro atual pois que têm perdido sua população vegetal.

O Municipio do Katchiungo é outro que outrora era rico em recursos florestais.

Sanguengue e Alto-Chiumbo possuiam grandes perimetros de eucaliptos, cedro e pinheiro.

O municipio do Kachiungo e o Municipio de Chicala-Cholohanga partilham a rica floresta de Sanguengue e por sua vez Bailundo e Katchiungo partilham a floresta de Alto-Chiumbo e no total somam mais de 25 mil hectares de pinheiros, cedros e eucaliptos, mas o abate igualmente devastou essas florestas e o processo de repovoamento florestal está demasiado lento, em cada 5 mil hectares de florestas abatidos há menos de 50 hectares replantados e essa per capida é demasiado insignificante. Assim, o FORDU tem procurado levar a cabo campanhas de sensibilização e pondera levar às providencias cautelares contra as empresas exploradoras de madeira que na verdade apenas estão preocupadas com lucros da venda de madeira, porém a sua responsabilidade social tem sido coarctada.

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